O que é Gamificação? – Parte 1

A integração entre mídias é frequente há pelo menos 15 anos. Da narrativa transmídia e ARGs aos Fóruns e Redes Sociais que complementam ou questionam informações mostradas nas diversas redes de informação mundo a fora, é quase impossível um meio de comunicação sobreviver na internet sem utilizar recursos de outros lugares.

 

Nesse parâmetro, os games se destacam por possuírem diferenciais expressivos, a ponto de iniciar toda uma corrente de aplicações nos mais variados setores. A essas aplicações, dá-se o nome Gamificação.

 

Iniciando uma nova série de posts na Kolaborativa, vamos falar como a aplicação destes recursos podem ser benéficas em diversos aspectos não apenas nos níveis empresariais e executivos, mas na sociedade como um todo. Suas ideias podem, inclusive, direcionar com mais facilidade os objetivos de startups e empresas que procuram novos formatos de atingir e integrar o público a seus objetivos.

 

Em nosso primeiro artigo, vamos compreender seu conceito, as aplicações mais básicas, e desmistificar algumas confusões a respeito do termo.

A Definição de Gamificação

 

Existem algumas confusões quanto a definição do que é Gamificação. Há quem acredite que se trate unicamente na realização de tarefas que geram recompensas a seus participantes como um incentivo ao engajamento entre empresas e clientes. Mas esse é um pensamento limitado, pois suas aplicações vão muito além da relação entre pessoas físicas e jurídicas.

 

Kevin Webach

Kevin Werbach

Segundo Kevin Werbach, em seu livro “For The Win” (ainda inédito no Brasil), Gamificação “é o uso de Técnicas de Game Design e elementos de Games fora de contextos de Games”. Outra definição, ainda mais especifica, é de Richard Bartle (o qual iremos falar futuramente), outro pioneiro do mercado: segundo ele, Gamificação é “transformar algo que não é um Game em um Game”.

 

Os dois conceitos resumem bem a proposta de Gamificação. Na prática, significa simplesmente transformar uma tarefa de qualquer natureza em um game, ou introduzir elementos comuns a jogos em um contexto, sem necessariamente transformá-lo em um game.

 

Num primeiro momento, há de se pensar que o uso de Gamificação pode tornar a tarefa menos relevante, tirando a importância do que precisa ser realizado. Entretanto, as vantagens que esses sistemas podem oferecer não só aumentam a importância das tarefas, como incentivam o engajamento de profissionais e públicos ao que foi aplicado. Vejamos alguns exemplos.

 

Exemplos e Tipos de Gamificação

 

Existem três aplicações básicas de Gamificação: Interna, Externa e Mudança de Comportamento. Ao pensar na abordagem, tenha em mente os objetivos e os propósitos nos quais ele irá servir: de nada adianta pensar em pontuações e medalhas se a intenção não é necessariamente engajar o público, por exemplo. É para isso que os subtipos existem, direcionando seus usuários.

 

Cada um dos tipos de Gamificação são próprios a contextos específicos. A interna visa uma melhor gestão de funcionários e processos importantes dentro de um ambiente de trabalho. Aqui, os objetivos estão relacionados ao rendimento e organização dos negócios, visando uma melhor estrutura para atividades externas. Treinamento de funcionários, gestão de finanças e criação de estatísticas são alguns exemplos

 

Na Gamificação externa estão os exemplos mais conhecidos da metodologia. Nele, as ações são voltadas a atingir um público determinado pela empresa ou qualquer outra organização, de modo a aumentar seu engajamento ou melhorar processos já existentes. Facilitar o aprendizado de uma área ou incentivar uma atividade específica relacionada a seus negócios são alguns exemplos gerais.

 

Gamificação - Duolingo

Excelente plataforma para aprender uma nova língua.

Por fim, a Mudança de Comportamento preocupa-se em criar novos hábitos no público através da Gamificação. Nesse caso, eles podem ser aplicados tanto em um ambiente interno da empresa, procurando estabelecer novos hábitos e processos, como mudar a política de trabalho de maneira menos intrusiva, por exemplo; como em ambiente externo, visando uma solução de problemas do público e incentivar atitudes que não possuem uma relação direta com o projeto (como veremos no tópico a seguir).

 

Vale lembrar que os contextos e situações em que a Gamificação é aplicada ajudam a definir qual o tipo mais adequado a suas necessidades. Um exemplo muito conhecido é a plataforma Duolingo: voltada para o aprendizado de uma ou mais línguas, a proposta da plataforma é criar um senso de evolução gradativo aos alunos para que desenvolvam seus conhecimentos de maneira intuitiva e divertida, além de contarem com recursos que permitam a sociabilidade e a auto-avaliação sobre seu desenvolvimento nas línguas que desejam aprender. Uma aplicação direta de Gamificação Externa.

 

Gamificação e o Conceito de Diversão

 

Quando se fala em Gamificação, é possível que os mais desavisados confundam a metodologia como uma forma de tornar determinados processos menos sérios, ou confundi-los com outras terminologias similares como a pouco divulgada Teoria dos Jogos, que há alguns anos atrás ficou conhecida no filme Uma Mente Brilhante. Embora similares, elas pouco tem a ver.

 

Na verdade, a Gamificação é mais próximo de outra vertente, a da Diversão. Discutiremos mais sobre as teorias que cercam a Gamificação futuramente, porém cabe ressaltar uma aspecto em particular sobre esse ponto em questão: embora possam ser divertidos, nem todos os jogos seguem essa regra. Por outro lado, é possível utilizar a diversão por si mesma sem necessariamente transformá-la em um game, gerando mudanças de hábito valiosas para a sociedade. O que vai de encontro com a Gamificação.

 

Vejamos esses dois vídeos, organizados pela Volkswagen em uma campanha atestando sua “Teoria da Diversão”. No primeiro vídeo, temos a Loteria da Câmera de Velocidade; no segundo, a lixeira mais funda do mundo.

 

Podemos comparar a iniciativa da Volkswagen com as estratégias de Gamificação em seu cerne: atribuindo novas características e objetivos a uma atividade, é possível atingir melhores resultados ou mesmo criar novos hábitos e posturas no público, resolvendo problemas da sociedade.

 

Por que a Gamificação pode ou não pode funcionar?

 

Por mais versátil e adaptável que seja, a Gamificação não é a solução máxima para todos os problemas que envolvem um negócio, uma campanha de marketing, gestão financeira ou qualquer outra aplicação imaginável. Tal como qualquer outra iniciativa, ela precisa ser pensada com cuidado e planejamento, para que possa atingir os resultados almejados.

 

Procure pensar nos seguintes pontos antes de decidir se a saída para seus problemas é a Gamificação:

 

  • Qual atividade precisa da Gamificação?
  • Por quais motivos a Gamificação seria efetiva?
  • Os usuários estão realmente interessados?
  • Existe espaço para a aplicação da Gamificação?
  • Quais os possíveis conflitos para o uso da Gamificação?

 

Com respostas satisfatórias e transparentes, você chegará a uma conclusão simples se a Gamificação deve ou ser utilizada em seus negócios. Nos próximos artigos, vamos nos aprofundar nos elementos e alternativas que compõem a metodologia, e a partir delas pensar em novas possibilidades. E se você tem exemplos, dúvidas e sugestões a fazer, não se acanhe em compartilhar.

 

Até a próxima!

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Willian Marinho

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