O design na reinvenção da roda

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Um jargão conhecido, e que já ouvi enquanto designer, é “você não precisa reinventar a roda”. Na ocasião, se tratava da interface para algum recurso de um aplicativo. Ao invés de “reinventar a roda”, eu poderia alegadamente utilizar uma biblioteca pronta, dessas tipo o Bootstrap. Mais tarde vi que esse é um jargão bem usado entre desenvolvedores.

Mas será que reinventar a roda é algo ruim? Impossível? Desnecessário?

Acho que a essa altura já está bem claro que a “reinvenção da roda é apenas uma analogia para processos criativos em desenvolvimento de projetos. Então vamos tentar responder essas perguntas.

Eu entendo que um desenvolvedor precisa escrever códigos eficazes, e o trabalho dele é muito mais funcionalista. Sob o ponto de vista funcionalista, uma roda precisa simplesmente ser redonda e bem encaixada e lubrificada em seu eixo.

Acontece que existem coisas no design além do funcionalismo que, dependendo do projeto, permitem algum esforço para se repensar aquilo que já existe. Até porque, se pensarmos bem, se ninguém pensasse dessa forma, ainda não teríamos evoluído da roda de pedra. Ou da roda de borracha para os pneus com câmara de ar comprimido. Talvez ninguém tenha sequer pensado em amortecedores, freios, aros e outros aparatos que potencializam tanto a experiência de usar a roda quanto a fabricação e até transporte do produto.

Aí você diz: mas isso não é reinvenção, e sim aprimoramento. Pode até ser verdade, mas quando se usa esse jargão inconsequentemente, não estamos também reprimindo os aprimoramentos corajosos e audaciosos? Será que ao utilizar essa frase não acabamos por cercear uma justa tentativa de avanço ergonomico, visual, comportamental, emocional, experimental ou tecnológico?

Outra reflexão interessante é a palavra “precisar”. Talvez não seja preciso reinventar nada, talvez o mundo esteja bom como ele está. Mas se é assim, por que continuamos criando mais e mais produtos? Eles são necessários? Ou atendem à necessidade da sobrevivência de quem fabrica? Nesse último caso, por que a “reinvenção da roda” não pode ser vista como diferencial para potencializar essa sobrevivência?

Será que estou defendendo a ideia da reinvenção da roda como meio de sobrevivência dos reinventores de roda?

Seja qual for a resposta para todas essas questões [i]relevantes, seguem alguns exemplos para encorajar aqueles que gostam de desafios criativos. Vejamos algumas “reinvenções da roda”.

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Em última caso, podemos reinventar o uso da roda.

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A roda já existe, bem como provavelmente já existem, em sua essência, todos os produtos para os quais fazemos design. A questão jamais será refazer todo o percurso criativo que o inventor anônimo da roda fez para chegar a essa genial criação. Mas sim inventar produtos derivados dela. E não apesar de todo o potencial do design de “reinventar” – ou talvez seja mais correto dizer “repensar” – forma, estrutura, função e experiência, mantenhamos o ego em seu devido lugar. Afinal, ainda é apenas uma roda.

E você, o que acha?

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